Laudo aponta bactérias na água da Maternidade Odete Valadares, em BH, e risco de contaminação
18/05/2026
(Foto: Reprodução) Laudo aponta água contaminada em maternidade de BH
Funcionários da Maternidade Odete Valadares, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, denunciam a presença de bactérias e o risco de contaminação da água na unidade. De acordo com servidores, a análise foi feita pela própria Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) em 14 de abril e foi divulgada para os gestores da unidade em 6 de maio.
Os resultados indicaram alterações em parâmetros de qualidade da água e a presença de duas bactérias. Uma delas é a Pseudomonas aeruginosa, que atinge principalmente pessoas com baixa imunidade e pode causar infecções graves. A outra é a Hererotróficas, que indica que pode haver uma falha nos processos de desinfecção ou acúmulo de matéria orgânica no sistema.
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As informações, segundo os funcionários, constam em um memorando divulgado internamente. O memorando aponta a identificação de parâmetros alterados nas amostras, em desacordo com limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde, que define procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e o padrão de potabilidade.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa foi encontrada na UTI Móvel, no Bloco Cirúrgico, no Lactário, onde fica armazenado o leite materno, no Setor de Cuidados Intermediários, no Bloco Obstétrico, no Setor de Pasteurização.
As bactérias Hererotróficas foram encontradas em todos esses locais e também no Centro de Terapia Intensiva Adulto.
Segundo funcionários, mesmo após a divulgação dos resultados, materiais hospitalares continuam sendo processados e esterilizados com utilização da água. Eles também relatam episódios de diarreia entre servidores e preocupação com possíveis riscos assistenciais, principalmente em áreas de maior vulnerabilidade, como o CTI neonatal.
Fachada da Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte
Arquivo ALMG/Reprodução
O que diz a Fhemig
Em nota, a Fhemig informou que após o resultado da análise foi realizada, "imediatamente, a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d'água da unidade" (veja a nota na íntegra ao fiim da reportagem.
"Foram promovidos treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de limpeza e desinfecção. Não há registros de ocorrência referentes a sintomas gastrointestinais entre servidores. Também não houve infecções hospitalares nos meses de abril e maio, comprovando que não há impactos do ocorrido pontualmente", informou em nota.
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Água é usada em diferentes procedimentos da maternidade
Para a TV Globo uma funcionária que preferiu não ser identificada informou que a água é utilizada em procedimentos essenciais da rotina hospitalar, como lavagem das mãos, higienização de materiais e processos de esterilização.
Ela relatou que as análises são realizadas periodicamente, em média a cada três meses, em torneiras, pias utilizadas por profissionais de saúde e também na caixa d’água do hospital. Segundo ela, o laudo mais recente teria sido emitido em 6 de maio, mas os funcionários só teriam recebido a comunicação interna na última terça-feira (12).
Os trabalhadores afirmam que aguardam medidas mais efetivas de contenção e questionam se todas as recomendações técnicas de limpeza e desinfecção teriam sido executadas.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde e com a Copasa, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Íntegra da nota da Fhemig
"A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que segue rígidos protocolos sanitários e realiza monitoramento constante para garantir a qualidade da água em todas as unidades. A água de consumo dos pacientes e servidores é mineral.
Durante análise programada realizada em abril foi identificada presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas em alguns pontos da Maternidade Odete Valadares.
Entre as medidas adotadas, a Fundação realizou, imediatamente, a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além da execução das demais ações recomendadas no plano de ação.
Adicionalmente, foram promovidos treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de limpeza e desinfecção, visando garantir o cumprimento dos critérios técnicos e protocolos estabelecidos.
Não há registros de ocorrência referentes a sintomas gastrointestinais entre servidores. Também não houve infecções hospitalares nos meses de abril e maio, comprovando que não há impactos do ocorrido pontualmente.
A instituição segue acompanhando as análises da água, adotando as medidas necessárias para garantir a segurança assistencial de pacientes, acompanhantes e trabalhadores."
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